JOGO DURO

A história se passa no Pacaembu, um dos bairros mais ricos de São Paulo.

Esse bairro passava por um momento dramático: a mudança de hábitos, a falta de dinheiro e o crescimento absurdo da violência urbana o golpearam de modo devastador. Por isso, um grande número de casas estava à venda. Os que continuavam habitando o bairro levantavam os muros altos e guaritas. E naturalmente, contratavam guardas.

"Jogo Duro" passa-se nesse ambiente de guardas particulares armados e casa à venda.

Uma mulher e sua filha vivem clandestinamente numa grande e desocupada casa.

A posse dessa mulher é disputada por dois homens nas mesmas condições sociais dela: um guarda particular e um subempregado que uma firma imobiliária instala na casa.

O conflito entre esses três personagens numa casa que não lhes pertence é o núcleo principal do filme. Porém não é tudo.

Mais do que isso, "Jogo Duro" é o retrato de um momento desta cidade, onde diariamente pessoas perdem o pé e largam as bordas dos barcos a que se agarram, deixando-se levar pelo mar da confusão geral. Até agarrar a outra borda, de outro barco, qualquer que seja.

E vão levando.

Hoje vendem flores num farol, amanhã quem sabe? Talvez guardas particulares, por que não? Passam desapercebidos. Afinal, hoje, quase todo mundo se veste igual. Jeans, tênis, vestido barato, calça comprada em três vezes e por aí vai.

Não têm sindicato nem reivindicações. Riem, choram, sonham um pouco, muitas vezes morrem, às vezes matam. Mas vão levando. Não são mendigos. São perdedores, o que é diferente.