O PRÍNCIPE

Gustavo, um homem de meia idade, vive em Paris há mais de vinte anos, uma vidinha pacata de intelectual sul-americano no exílio, feita de conferências, palestras, traduções e artigos para publicações especializadas, de pouca tiragem mas de muito prestígio.

Durante todo esse tempo Gustavo não tinha feito nenhuma visita ao Brasil. Várias vezes esteve a ponto de voltar, mas as razões para a viagens de alguma maneira acabaram superadas e Gustavo pôde continuar fruindo de sua paz na Rive Gauche, sem maiores sobressaltos.

O tempo, porém, sempre ele, acaba por desarrumar os arranjos mais convenientes. A mãe de Gustavo se tornava cada vez mais frágil com a idade e além disso um seu sobrinho, praticamente o ultimo parente que lhe restara além da mãe, adoecera.

Gustavo precisa voltar. Pelo menos para verificar como estão as coisas com a sua família.

O filme na verdade começa com Gustavo chegando em São Paulo.

A partir dessa chegada o filme trata dos diversos sentimentos, sensações, acontecimentos e descobertas que Gustavo faz sobre uma cidade que deixou há mais de vinte anos e que se transforma na velocidade de São Paulo.

Essa viagem de Gustavo pela sua cidade que não existe mais, e seu encontro com amigos que não são mais os mesmos, vai dar o tom do filme, vagamente nostálgico, suavemente sarcástico, algumas vezes melancólico, muitas vezes hilariante, quase uma comédia.

Gustavo, pouco a pouco, percebe que está revisitando fantasmas, revolvendo ruínas e tentando recapturar o passado, o que, como todos sabemos , é um sonho impossível.

"O Príncipe" é um filme sobre memórias, com um clima meio outonal, essa estação do ano indecisa entre o calor e o frio que vai chegar, onde se tem sobretudo a sensação de que alguma coisa lentamente está indo embora.