CARA OU COROA

O ano é 1971. A época era particularmente conturbada e complexa, tanto no Brasil como no resto do mundo. No que se refere ao Brasil o momento era extremamente contraditório pois, se por um lado havia uma ditadura que também em termos de moral e bons costumes defendia um estilo de vida conservador por todos os meios, por outro lado chegavam de várias partes do mundo novas formas de procedimento, cabelos enormes, vestimentas espalhafatosas e atitudes ultraliberais.

Essas forças se misturavam e se chocavam no dia a dia, e quem viveu aqueles tempos, se lembrar bem, vai constatar que viveu um período de extraordinárias contradições composto de experiências feitas de pesar e alegria, de dor e de êxtase, de certeza e indefinição. Enfim, experiências que, pela sua intensidade, fazem com que a vida valha a pena ser vivida.

O filme acompanha as aventuras de Getulio e João Pedro, irmãos, diferentes entre si, mas, cada um á sua maneira, envolvidos com o meio teatral da cidade. Na sua vertente mais intimista e pessoal o filme segue a história de amor de Getulio e uma jovem universitária, Lílian, neta de um general do exercito, agora na reserva

Num determinado momento, dois perseguidos políticos precisam urgentemente de um esconderijo, Lílian e Getulio mesmo correndo grandes riscos, os escondem num porão da casa do General, afinal "Quem se lembraria de procurar subversivos na casa de um general do exército brasileiro?"

Com um final inquietante o filme nos mostra o retrato de um momento dessa época de contradições e percauços, época cheia de dificuldades, mas excitante, principalmente para quem era jovem e exultante por estar vivo.